quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Comboio para transferência de presos chega a prisão rebelada no RN

Presidiários fazem uma fogueira na noite de terça-feira (17) durante rebelião na Penitenciária de Alcaçuz, perto de Natal, no Rio Grande do Norte (Foto: Andressa Anholete/AFP)
Presidiários fazem fogueira na noite de terça-feira (17)  em Alcaçuz.
Um comboio para transferir detentos chegou na manhã desta quarta-feira (18) à Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal, onde presos de duas facções rivais passaram a noite em barricadas montadas durante a terça-feira (17). O governo  do Rio Grande do Norte nega que o presídio esteja rebelado.
O número de presos a serem transferidos e o destino deles não foi informado.
O comboio é formado por um ônibus e veículos do Batalhão de Operações Especiais e do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil.
Os integrantes do Sindicato RN, a mais numerosa organização criminosa do estado, estão em confronto com o Primeiro Comando da Capital (PCC), que domina um dos cinco pavilhões de Alcaçuz. No fim de semana, integrantes do PCC mataram 26 detentos ligados ao sindicato.
Nesta terça-feira (16) dois homens tentaram jogar uma bolsa com dois revolveres para dentro da Penitenciária Estadual de Alcaçuz. De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Militar,  a Força Nacional fazia a ronda na área externa do presídio quando avistou dois homens, eles jogaram a bolsa em direção ao presídio e fugiram. A bolsa caiu do lado de fora da unidade. Nela, havia um revólver calibre 32 e outro calibre 38. Os homens fugiram pela área de mata, ninguém foi preso.
Assim como tem ocorrido desde a matança, vários detentos passaram a noite desta quarta-feira sobre os telhados dos pavilhões. Outros fizeram fogueiras. Desde 2015, Alcaçuz não tem grades nas celas, destruídas durante uma rebelião. Antes, elas existiam, mas ficavam abertas (veja como é o funcionamento de Alcaçuz).
O Rio Grande do Norte foi o terceiro estado a registrar matanças em presídios deste ano no país. Na virada do ano, 56 presos morreram no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. Outros oito detentos foram mortos nos dias seguintes no Amazonas: 4 na Unidade Prisional Puraquequara (UPP) e 4 na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoal. No dia 6, 33 foram mortos na Penitenciária Agrícola Monte Cristo (Pamc), em Roraima.
O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, classifica o massacre em Alcaçuz como "retaliação" ao que ocorreu em Manaus, onde presos supostamente filiados ao PCC foram mortos por integrantes de uma outra facção do Norte do país.
“Até hoje, nunca tinha havido um confronto dentro dos presídios entre PCC e Sindicato do Crime RN. Virou uma guerra. Começou no Amazonas, isso é uma retaliação. Essa briga não é do RN, é uma retaliação do que aconteceu no Amazonas, é uma vingança ao caso do Amazonas e aconteceu no meu estado, infelizmente”, lamentou o governador.
Na terça-feira (17), o governo federal anunciou que o presidente Michel Temer decidiu colocar as Forças Armadas à disposição dos governadores para operações específicas em presídios. O anúncio foi feito após reunião de Temer com representantes de órgãos de inteligência federal e ministros para discutir ações contra a violência nos presídios brasileiros e contra o crime organizado.
Segundo o governo federal, as Forças Armadas irão entrar nos presídios para fazer inspeções de rotina e buscar materiais proibidos. A ida de militares para os estados dependerá do aval dos governadores.
“Haverá inspeções rotineiras dos presídios com vistas à detecção e à apreensão de materiais proibidos naquelas instalações. Essa operação visa a restaurar a normalidade e os padrões básicos de segurança dos estabelecimentos carcerários brasileiros”, disse o porta-voz da presidência, Alexandre Parola.

Fonte: G1 RN
 

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