sexta-feira, 28 de julho de 2017

Ministério da Justiça suspeita que armas das Farc estão em posse de bandidos do Rio

O ministro da Justiça,Torquato Jardim - Givaldo Barbosa / Agência O Globo
O Ministério da Justiça suspeita que armas de fogo antes em poder de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estão sendo usadas por grupos criminosos no Rio. A hipótese, levantada após monitoramento e investigação sobre esse tipo de tráfico, será examinada com prioridade dentro do acordo firmado entre o governo brasileiro e o Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos dos Estados Unidos (ATF).
Pelo acordo, o Brasil vai contribuir para rastrear armas roubadas nos Estados Unidos e que acabam chegando ao país. Seria o caso de parte do arsenal em poder das Farc e que teria passado a circular no Rio. Segundo informações levadas em conta pelo Ministério da Justiça, guerrilheiros teriam entregue armas velhas, enquanto que o arsenal mais novo e letal teria sido colocado no mercado negro. O desarmamento do grupo faz parte do acordo de paz vigente com o governo da Colômbia.
— Há armas no Rio que, até então, só se tinha conhecimento de estarem em poder das Farc — disse ao GLOBO o ministro Torquato Jardim, que foi aos Estados Unidos para assinar o acordo com a ATF.
A agência norte-americana faz um rastreamento de armas roubadas naquele país, muitas delas contrabandeadas por rotas do narcotráfico em países como México e Colômbia. O Brasil passa a integrar um banco de dados único sobre o assunto e a compartilhar informações com os Estados Unidos a respeito do tráfico de armas.
No caso das Farc, segundo o ministro da Justiça, a suspeita é que armamento mais novo tenha entrado no país por rotas no Peru e na Bolívia. Caberá àPolícia Federal e à Polícia Rodoviária Federal rastrearem esse arsenal.
— O que será feito é um back tracking, com um monitoramento para trás, sobre o caminho dessas armas — afirmou Torquato.
Em junho, a Organização das Nações Unidas concluiu o recebimento de mais de sete mil fuzis, pistolas e lança-granadas de integrantes das Farc, quantidade considerada como a totalidade de armas individuais em poder do grupo. O acordo de paz entre o governo da Colômbia e as Farc sobreviveu mesmo após um referendo no país dizer “não” ao pacto. Os novos termos do acordo, assinado em novembro de 2016 em Havana, pretende por fim a 52 anos de conflito armado.
O Ministério da Justiça sustenta que o acordo firmado com a ATF permitirá identificar fornecedores de armas ilegais, rastrear rotas e intermediários e monitorar crimes transnacionais.
– A ATF tem mandato legal para rastrear todas as armas roubadas. Há acordos com 45 países para fazer esse rastreamento – disse o ministro da Justiça.

Fonte: O Globo
 

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