domingo, 12 de março de 2017

Ex-executivo da Odebrecht diz que Ministro Padilha acertou entrega de dinheiro

O ex-executivo da Odebrecht José de Carvalho Filho contou, em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tratou sobre repasses de recursos em dinheiro com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que está licenciado e deve retornar amanhã. O delator disse que Padilha tratou diretamente sobre pagamento de R$ 4 milhões, a ser efetuado em parcelas e em endereços indicados pelo ministro. Ao todo, seriam R$ 10 milhões em repasses ao PMDB.
No depoimento ocorrido na última sexta-feira, o delator afirmou que os integrantes da Odebrecht procuraram Padilha depois de terem sido cobrados pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha sobre o atraso no envio do dinheiro. Segundo advogados que acompanharam o depoimento, Padilha disse que iria conversar com Cunha para saber a respeito. O delator relatou a Claudio Melo Filho, que ocupava o cargo de vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht e também delatou, sobre o telefonema de Cunha. Na sequência, Melo Filho falou sobre o episódio com Padilha. Cunha reclamou de forma veemente que não havia recebido R$ 500 mil.
Questionado pela defesa do PT, José Carvalho Filho afirmou textualmente que Lúcio Funaro, doleiro preso em Brasília e, segundo a Lava-Jato, comparsa de Eduardo Cunha em diversos esquemas ilegais, não foi quem repassou ou pegou o dinheiro para Eliseu Padilha. Funaro foi apontado por José Yunes, ex-assessor e amigo pessoal de Michel Temer, como elo entre o dinheiro da Odebrecht que seria entregue a Padilha.
José Carvalho Filho explicou como se deu o repasse de dinheiro para Padilha. Segundo ele, foram várias entregas, mas não soube precisar quantas porque o sistema de propinas da Odebrecht não registrou todas. De acordo com o ex-executivo, que era auxiliar do ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho, era ele quem pegava com Padilha os endereços de entrega de dinheiro.
Segundo o blog de Lauro Jardim, de O GLOBO, o entregador do dinheiro teria sido o doleiro Álvaro José Galliez Novis, de apelidos Paulistinha e Carioquinha, da Hoya Corretora, e preso atualmente em Bangu 8, no Rio de Janeiro, por envolvimento na organização criminosa supostamente chefiada por Sérgio Cabral.
Carvalho Filho disse que repassava os endereços para Maria Lúcia Tavares, secretária do Setor de Operações Estruturadas, o chamado “departamento de propina” do grupo. Maria Lúcia era quem dava a Novis as coordenadas para a entrega.
Em delação, Melo Filho, ex-executivo da Odebrecht, já havia afirmado que Yunes recebeu em seu escritório, em dinheiro vivo, R$ 4 milhões que seriam parte de um repasse de R$ 10 milhões. Yunes pediu demissão do cargo de assessor especial da Presidência em dezembro, após a delação vir à tona.
Yunes disse à Procuradoria-Geral da República apenas que havia recebido um pacote em seu escritório, mas não sabia o que havia dentro.
Nos bastidores, integrantes do PMDB avaliam que Yunes veio a público falar sobre o assunto justamente para tentar “blindar” Temer. Por isso, ele colocou toda a responsabilidade em Padilha, tentando proteger o amigo Temer.
O depoimento de Carvalho Filho foi feito ao ministro Herman Benjamin, que é o relator no TSE da ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer. Ao relatar o esquema, o ex-executivo da Odebrecht contou que Maria Lúcia Tavares forneceu senhas para que ele repassasse a Padilha. As senhas deveriam ser usadas por quem recebesse os R$ 4 milhões. O delator disse que lhe foi mostrado até um recibo para comprovar que o pacote fora entregue no escritório de Yunes.
As senhas variavam de acordo com os valores dos repasses: em 13 de agosto, R$ 1,5 milhão (foguete); em dois de setembro R$ 1 milhão (árvore); em quatro de setembro, R$ 1 milhão (morango); em dez de setembro, R$ 1 milhão (agenda); e em primeiro de outubro, R$ 500 mil (pinguim).
Um dos endereços, segundo relato dos depoimentos, era o do escritório de Yunes em São Paulo. Neste local, foi feita a entrega de R$ 1 milhão, no dia quatro de setembro. O último repasse de R$ 500 mil teria ocorrido em outro endereço de São Paulo.

Fonte: O Globo por Blog do BG

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