sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Mortos em presídio de Roraima não eram de nenhuma facção, diz governo

IML entrou no presídio para buscar corpos  (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)
IML entrou no presídio para buscar corpos na manhã desta sexta-feira (6) (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)
O secretário de Justiça e Cidadania de Roraima, Uziel Castro, disse em coletiva de imprensa no fim da manhã desta sexta-feira (6) que os 31 presos mortos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo durante esta madrugada não pertenciam a nenhuma facção criminosa. Inicialmente o Governo havia confirmado 33 mortes. No início da noite desta sexta o número foi corrigido.
De acordo com Castro, os autores do massacre são integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Há cinco dias, 56 presos do PCC foram mortos durante uma rebelião em um presídio de Manaus, no Amazonas, por dententos do grupo rival Família do Norte (FDN). O motim durou 17 horas e teve fuga de mais de 180 detentos.
"Não foi um confronto de facções [em Roraima]. Isso é uma crise nacional que o país está vivendo neste momento [...] Foi uma ação isolada de presos do PCC contra pessoas que não eram ligadas a nenhuma facção", declarou Castro.
O secretário disse que os corpos dos presos mortos na penitenciária foram "destroçados" e diversos decapitados. As mortes ocorreram por volta das 2h.
Castro afirmou que ainda não se sabe o motivo do massacre e relembrou que na unidade prisional onde aconteceram as mortes não há presos de outras facções além do PCC.
A separação de presos de facções rivais foi feita no ano passado após um confronto de grupos rivais deixar 10 detentos mortos na mesma unidade.
A Penitenciária Agrícola fica na zona Rural de Boa Vista, na BR-174. Atualmente, ela abriga pelo menos 1,4 mil detentos, o dobro da capacidade que é capaz de suportar.
Na terça-feira (3), o Amazonas emitiu alerta para Roraima no intuito de avisar sobre possíveis confrontos entre presos nas unidades do estado após a rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) que teve 56 mortos na madrugada de domingo para segunda. Em menos de 24 horas, o Amazonas registrou três rebeliões e 60 detentos mortos.
O diretor do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Marco Antônio Severo Silva, reiterou a informação de que os presos mortos não integravam facções. "As informações preliminares são que os presos mortos não permaneciam a nenhuma facção, podendo ser presos que tinham tido a morte decretada pelo PCC, devedores ou relacionados a crimes sexuais".
"Não foi uma represália contra o Comando Vermelho ou à Família do Norte, pois os presos do Comando Vermelho estão separados em uma cadeia pública na capital, Boa Vista. Não existia, pelo que se sabe, presos do Comando Vermelho nesta unidade. Os presos mortos em Roraima eram presos que estavam no seguro, e não pertenciam a nenhuma facção, respondiam a vários crimes", disse o diretor do Depen.
Confronto de facções
Em outubro, 10 detentos morreram na penitenciária agrícola durante um confronto de duas facções rivais e familiares foram feitos reféns. Alguns detentos foram queimados e outros decapitados. Na época, a polícia apontou 50 suspeitos dos assassinatos.
O número de mortos colocou Roraima em 9º no ranking de mortes violentas em presídios, conforme levantamento do G1.
Após o confronto, presos de facções rivais foram separados em unidades e chefes de organizações foram transferidos para outros presídios. Alguns foram levados para um presídio de segurança máxima no Rio Grande do Norte.
Superlotação
A Penitenciária Agrícola de Monte Cristo é a maior unidade prisional de Roraima e até outubro abrigava mais de 1,4 mil presos, o dobro da capacidade. O presídio é administrado pelo próprio estado e tem condições "péssimas", segundo uma inspeção do Conselho Nacional de Justiça de setembro de 2016.
Em dezembro, o governo anunciou a construção de um presídio de segurança máxima no estado para abrigar presos do regime fechado. Na ocasião, foi informado que as obras começariam em janeiro deste ano.
Ao todo, o presídio deve custar R$ 31 milhões, mais da metade dos R$ 46 milhões liberados pelo Ministério da Justiça para reestruturar o sistema prisional de Roraima.

Fonte: G1

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